"Deus tem predileção para quem dá com alegria" (2 Cor 9,7) "Alegrai-vos sempre" . (Fil4,4) "A minha vocação é o amor jubiloso e confiante de filhinha e de esposa".(Santa Teresinha) As Missionárias de Santa Teresinha formam uma Congregação religiosa de Direito Pontifício que, com especial proteção e imitação da Virgem Maria e de Santa Teresinha, querem desenvolver o mais possível os grandes dons recebidos no Batismo e na Crisma.
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sábado, 9 de agosto de 2014
terça-feira, 5 de agosto de 2014
TUDO É GRAÇA
Viver cada minuto da vida como um filho querido do Pai, cumprir cada tarefa convencido de que ela é capaz de agradar o coração do Pai, tal é incontestavelmente um dos grandes segredos da alegria cristã. Não este ponto central da Boa Nova?
Mas nunca será demais repetir que o amor de Deus pelos homens é um mistério. Primeiro porque este Amor universal não é absolutamente uma realidade evidente. "Tudo isso é bonito demais para ser verdade". Quantas vezes não ouvimos esta objeção! Efetivamente, se fosse evidente que todos os homens são ininterruptamente amados por Deus, os órfãos, os deficientes, as vítimas de todos os acidentes da natureza e de todas as injustiças da história não teriam nenhuma dificuldade de acreditar. O que é que nos prova não terem os inventado a existência de um Pai infinitamente bom, velando por eles no céu, a fim de se consolarem de todas as misérias da terra?
Jesus, concluindo a Revelação começada na antiga lei, veio nos garantir a realidade desse amor. Confiados na sua Palavra ousamos dizer "Pai Nosso", mesmo depois de um dia cheio de aborrecimento. Não tentemos, pois, convencer aqueles que não acreditam em toda a Revelação judeu-cristã. Contentemo-nos em responder-lhes: "É claro que não basta uma afirmação ser bonita para ser verdadeira... Mas não é por ela ser bela que é falsa. Por que não teria Deus o direito de amar infinitamente seus filhos e de lhes vir dizer isso?" Nossa fé em Cristo Jesus nos dá a audácia de afirmar este amor universal de um Deus- Pai.
Mas o amor de Deus pelos homens é igualmente um mistério no sentido de que supõe - como todo mistério - a afirmação de duas verdades aparentemente contraditórias sobre as quais vamos refletir um pouco. Por um lado, Deus nos ama com um amor absolutamente gratuito - e neste caso não precisa de nós; mas por outro lado, sente um real prazer, um prazer infinito em nos amar - e aí podemos dar-lhe algo!
UM AMOR ABSOLUTAMENTE GRATUITO
Diz-se, às vezes, que Deus nos cria para sua glória. Está certo, no sentido de que nos cria para termos enfim a possibilidade de conhece-lo, saboreá-lo e cantar eternamente: "Sim, o Senhor é bom"! O que não significa a necessidade de ter toda uma falange de adoradores e adoradoras prostrados diante dele.
Deus não precisava de nós, absolutamente. É o mistério de sua transcendência, afirmado pela Escritura e proclamado por toda a Tradição da Igreja. Assim o canta um dos prefácios utilizados em dias de semana:
Ainda que nosso louvores não vos sejam necessários, vós nos concedeis o dom de vos louvar. Pois, se nada acrescentam à vossa riqueza, contribuem para a nossa salvação.
Foi pois unicamente para nós, para conhecermos a alegria de viver, de respirar,de amar, de trabalhar e de cantar que Deus criou tudo e nos deu vida. A criação supõe a existência, em Deus, de amor absolutamente desinteressado, verdadeiramente incompreensível e inimitável, chamado "ágape" pelo Novo Testamento. Quando amamos alguém é porque já descobrimos o seu encanto - mesmo que ainda em esboço. Deus, pelo contrário, é capaz de nos amar até antes de existirmos. Não nos ama pelas nossas qualidades; é o seu amor que cria tudo o que somos e temos. Diante dele nossa pobreza é radical: a ele devemos tudo, ele nada nos deve.
Uma das alegrias fundamentais do cristão é exatamente acolher tudo o que ele é e possui, com presente perpétuo do Pai. O cristão acolhe todas as alegrias da vida como "amabilidades" preparadas pelo Pai, desde toda a eternidade. Gosta de exercitar a memória para melhor saborear essas delicadezas do Senhor. Foi o que Teresa de Lisieux fez durante o ano de 1895, escrevendo a historia de sua vida: "A flor que vai contar sua história alegra-se em publicar as amabilidades inteiramente gratuitas de Jesus, reconhece não ter nada capaz de atrair os olhos divinos e o bem existente é fruto unicamente de sua misericórdia".
A oração de ação de graças é momento privilegiado de nossa vida, onde a mão de Deus nos entrega o nosso ser, onde acolhemos, ao mesmo tempo, as nossas energias interiores e as circunstâncias providenciais de nossa história como presente pessoal do Pai.
Pois não somos artigos fabricados em série.O Pai nos cria modelos únicos: todos somos estrelas singulares no céu de sua criação. O Talmude comenta assim o fato de sermos criados à imagem e semelhança de Deus: "O homem foi criado único e nisso é semelhante a Deus". Segundo o belo jogo de palavras de André Frossard, "Deus só sabe contar até um ".
Com a liturgia, gostamos de repetir: "Pela vossa sabedoria fomos criados e a vossa providência nos conduz". E nossa oração de ação de graças desabrocha espontaneamente em oração de abandono. Surgindo dos dedos de Deus, sentimos a necessidade de nos abandonarmos em suas mãos, a fim de que nos modelem ainda mais à imagem de seu Filho: Em vossa mão, Senhor, residem a força e o poder (1 Cr 29,13).
Nos vossos braços divinos não temo a tempestade. O total abandono, eis minha única lei!
Fonte: O segredo de um sorriso (Teresa de Lisieux) - P.Descouvemont - Edições paulinas
sexta-feira, 23 de maio de 2014
Quarto Dom Fortaleza
Catequese do Papa Francisco
Quarta-feira,
14 de Maio de 2014.
Queridos
irmãos e irmãs, bom dia!
Nas
passadas catequeses refletimos sobre os primeiros dons do Espírito Santo: a
sabedoria, o intelecto e o conselho. Hoje pensemos naquilo que o Senhor faz:
Ele vem sempre para nos apoiar nas nossas debilidades e fá-lo com um dom
especial: o dom da fortaleza.
1.
Existe uma parábola, narrada por Jesus, que nos ajuda a compreender a
importância deste dom. Um semeador foi semear; porém, nem toda a semente que
lançava dava fruto. A parte que caiu à beira do caminho foi comida pelas aves;
a que caiu em terreno pedregoso ou no meio da sarça brotou, mas foi
imediatamente secada pelo sol ou sufocada pelos espinhos. Só a que cai em boa
terra germinou e deu fruto (cf. Mc 4, 3-9; Mt 13, 3-9; Lc 8, 4-8). Como o
próprio Jesus explica aos discípulos, este semeador representa o Pai, que lança
abundantemente a semente da sua Palavra. A semente, contudo, depara-se com a
aridez do nosso coração e, mesmo quando é acolhida, corre o risco de permanecer
estéril. Ao contrário, com o dom da fortaleza, o Espírito Santo liberta o
terreno do nosso coração, liberta-o do torpor, das incertezas e de todos os
temores que podem detê-lo, de modo que a Palavra do Senhor seja posta em
prática, de forma autêntica e jubilosa. Este dom da fortaleza é uma verdadeira
ajuda, dá-nos força, liberta-nos também de tantos impedimentos.
2.
Há inclusive alguns momentos difíceis e situações extremas em que o dom da
fortaleza se manifesta de forma extraordinária, exemplar. É o caso daqueles que
devem enfrentar experiências particularmente difíceis e dolorosas, que
transtornam a sua vida e a dos seus entes queridos. A Igreja resplandece com o
testemunho de muitos irmãos e irmãs que não hesitaram em oferecer a própria
vida, para permanecer fiéis ao Senhor e ao Evangelho. Também hoje não faltam
cristãos que em várias partes do mundo continuam a celebrar e a testemunhar a
sua fé, com profunda convicção e serenidade, e resistem mesmo quando sabem que
isso pode implicar um preço mais alto. Também nós, todos nós, conhecemos
pessoas que viveram situações difíceis, muitas dores. Mas, pensemos naqueles
homens, naquelas mulheres, que enfrentam um vida difícil, lutam para sustentar
a família, educar os filhos: fazem tudo isto porque há o espírito de fortaleza
que os ajuda. Quantos homens e mulheres — nós não conhecemos os seus nomes —
honram o nosso povo, honram a nossa Igreja, porque são fortes: fortes ao levar
em frente a própria vida, a própria família, o seu trabalho, a sua fé. Estes
nossos irmãos e irmãs são santos, santos no dia-a-dia, santos escondidos no
meio de nós: têm precisamente o dom da fortaleza para cumprir o seu dever de
pessoas, pais, mães, irmãos, irmãs, cidadãos. Temos muitos! Agradecemos ao
Senhor por estes cristãos que têm uma santidade escondida: é o Espírito Santo
que têm dentro que os leva em frente! E far-nos-á bem pensar nestas pessoa: se
eles têm tudo isto, se eles o podem fazer, por que nós não? E far-nos-á bem
também pedir ao Senhor que nos dê o dom da fortaleza.
Não
devemos pensar que o dom da fortaleza seja necessário só em determinadas
ocasiões e situações particulares. Este dom deve constituir o fundamento do
nosso ser cristãos, na ordinariedade da nossa vida quotidiana. Como disse, em
todos os dias da vida quotidiana devemos ser fortes, precisamos desta
fortaleza, para fazer avançar a nossa vida, a nossa família, a nossa fé. O
apóstolo Paulo pronunciou uma frase que nos fará bem ouvir: «Tudo posso naquele
que me fortalece» (Fl 4, 13). Quando enfrentamos a vida comum, quando chegam as
dificuldades, recordemos isto: «Tudo posso naquele que me fortalece». O Senhor
dá a força, sempre, não a faz faltar. O Senhor não nos dá prova maior da que
pudemos suportar. Ele está sempre connosco. «Tudo posso naquele que me
fortalece».
Queridos
amigos, por vezes, podemos ser tentados a deixar-nos levar pela inércia ou pior
pelo desconforto, sobretudo diante das dificuldades e das provações da vida.
Nestes casos, não desanimemos, invoquemos o Espírito Santo, para que com o dom
da fortaleza possa aliviar o nosso coração e comunicar nova força e entusiasmo
à nossa vida e à nossa sequela de Jesus.
© Copyright - Libreria Editrice Vaticana
Terceiro Dom Conselho
Catequese do Papa Francisco - sobre os Dons do Espirito Santo
Quarta-feira,
7 de Maio de 2014
Queridos
irmãos e irmãs, bom dia!
Ouvimos
na leitura o trecho do livro dos Salmos que diz: «Bendito o Senhor que me
aconselha; durante a noite a minha consciência me adverte» (Sl 16, 7). Este é
outro dom do Espírito Santo: o dom do conselho. Sabemos como é importante nos
momentos mais delicados, poder contar com sugestões de pessoas sábias e que nos
amam. Através do conselho é o próprio Deus, com o seu Espírito, que ilumina o
nosso coração, fazendo com que compreendamos o modo justo de falar e de nos
comportarmos, e o caminho que devemos seguir. Mas como age este dom em nós?
No
momento em que o recebemos e o hospedamos no nosso coração, o Espírito Santo
começa imediatamente a tornar-nos sensíveis à sua voz e a orientar os nossos
pensamentos, sentimentos e intenções segundo o coração de Deus. Ao mesmo tempo,
leva-nos cada vez mais a dirigir o olhar interior para Jesus, como modelo do
nosso modo de agir e de nos relacionar com Deus Pai e com os irmãos. Portanto,
o conselho é o dom com o qual o Espírito Santo torna a nossa consciência capaz
de fazer uma escolha concreta em comunhão com Deus, segundo a lógica de Jesus e
do seu Evangelho. Desta maneira, o Espírito faz-nos crescer interior e
positivamente, faz-nos crescer na comunidade e ajuda-nos a não cair na
armadilha do egoísmo e do próprio modo de ver as coisas. O Espírito ajuda-nos a
crescer e a viver em comunidade. A condição essencial para conservar este dom é
a oração. Voltamos sempre ao mesmo tema: a oração! Mas o tipo de oração não é
tão importante. Podemos rezar com as preces que todos sabemos desde crianças,
mas também com as nossas palavras. Pedir ao Senhor: «Senhor, ajudai-me,
aconselhai-me, o que devo fazer agora?». E com a oração damos espaço para que o
Espírito venha e nos ajude naquele momento, nos aconselhe sobre o que devemos
fazer. A oração! Nunca esquecer a oração. Nunca! Ninguém nota quando rezamos no
autocarro, pelas ruas: rezamos em silêncio com o coração. Aproveitemos estes
momentos para rezar a fim de que o Espírito nos conceda o dom do conselho.
Na
intimidade com Deus e na escuta da sua Palavra, começamos gradualmente a
abandonar a nossa lógica pessoal, ditada muitas vezes pelos nossos fechamentos,
preconceitos e ambições, e aprendemos a perguntar ao Senhor: qual é o teu
desejo? Qual é a tua vontade? O que te agrada? Deste modo, amadurece em nós uma
sintonia profunda, quase conatural no Espírito e podemos experimentar como são
verdadeiras as palavras de Jesus apresentadas no Evangelho de Mateus: «Não vos
preocupeis com o que haveis de falar nem com o que haveis de dizer; ser-vos-á
inspirado o que tiverdes de dizer. Não sereis vós a falar, é o Espírito do
vosso Pai que falará por vós» (10, 19-20). É o Espírito que vos aconselha, mas
devemos dar espaço ao Espírito, para que possa aconselhar. E dar espaço é rezar
para que Ele venha e nos ajude sempre.
Como
todos os outros dons do Espírito também o conselho constitui um tesouro para
toda a comunidade cristã. O Senhor não nos fala só na intimidade do coração,
fala-nos sim mas não só ali, fala-nos também através da voz e do testemunho dos
irmãos. É deveras um dom importante poder encontrar homens e mulheres de fé
que, sobretudo nos momentos mais complicados e importantes da nossa vida, nos
ajudam a iluminar o nosso coração e a reconhecer a vontade do Senhor!
Recordo-me
que uma vez no santuário de Luján, estava no confessionário, diante do qual
havia uma fila longa. Tinha também um jovem muito moderno, com brincos,
tatuagens, todas estas coisas... Veio para me dizer o que lhe acontecia. Era um
problema grave, difícil. E disse-me: contei tudo à minha mãe e ela disse-me:
conta isto a Nossa Senhora e Ela dir-te-á o que deves fazer. Eis uma mulher que
tinha o dom do conselho. Não sabia como resolver o problema do filho, mas
indicou a estrada justa: vai ter com Nossa Senhora e Ela dirá. Este é o dom do
conselho. Aquela mulher humilde, simples, deu ao filho o conselho mais
verdadeiro. De facto, o jovem disse-me: olhei para Nossa Senhora e sinto que
devo fazer isto, isto e isto... Nem precisei de falar, já tinham falado tudo a
sua mãe e o próprio jovem. Este é o dom do conselho. Vós mães tendes este dom,
pedi-o para os vossos filhos, o dom de aconselhar os filhos é um dom de Deus.
Queridos
amigos, o Salmo 16, que acabámos de ouvir, convida-nos a rezar com estas
palavras: «Bendito o Senhor que me aconselha; durante a noite a minha
consciência me adverte. Tenho sempre o Senhor diante dos meus olhos, está à
minha direita e jamais vacilarei» (vv. 7-8). Que o Espírito possa infundir
sempre no nosso coração esta certeza e encher-nos da sua consolação e paz! Pedi
sempre o dom do conselho.
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Segundo dom Espirito Santo - Entedimento
Catequese do Papa Francisco
Quarta-feira,
30 de Abril de 2014
Estimados
irmãos e irmãs, bom dia!
Depois
de ter meditado sobre a sabedoria, como primeiro dos sete dons do Espírito
Santo, gostaria hoje de chamar a atenção para o segundo dom, ou seja, o
entendimento. Aqui, não se trata da inteligência humana, da capacidade
intelectual de que podemos ser mais ou menos dotados. Ao contrário, é uma graça
que só o Espírito Santo pode infundir e que suscita no cristão a capacidade de
ir além do aspecto externo da realidade e perscrutar as profundidades do
pensamento de Deus e do seu desígnio de salvação.
Dirigindo-se
à comunidade de Corinto, o apóstolo Paulo descreve bem os efeitos deste dom —
ou seja, como age em nós o dom do entendimento — e Paulo diz o seguinte:
«Coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano
imaginou, tais são os bens que Deus preparou para aqueles que o amam. Todavia,
Deus no-los revelou pelo seu Espírito» (1 Cor 2, 9-10). Obviamente, isto não
significa que o cristão pode compreender tudo e ter um conhecimento completo
dos desígnios de Deus: tudo isto permanece à espera de se manifestar em toda a
sua limpidez, quando nos encontrarmos na presença de Deus e formos
verdadeiramente um só com Ele. No entanto, como sugere a própria palavra, a
inteligência permite «intus legere», ou seja, «ler dentro»: esta dádiva faz-nos
compreender a realidade como o próprio Deus a entende, isto é, com a
inteligência de Deus. Porque podemos compreender uma situação com a
inteligência humana, com prudência, e isto é um bem. Contudo, compreender uma
situação em profundidade, como Deus a entende, é o efeito deste dom. E Jesus
quis enviar-nos o Espírito Santo para que também nós tenhamos este dom, para
que todos nós consigamos entender a realidade como Deus a compreende, com a
inteligência de Deus. Trata-se de um bonito presente que o Senhor concedeu a
todos nós. É o dom com que o Espírito Santo nos introduz na intimidade com
Deus, tornando-nos partícipes do desígnio de amor que Ele tem em relação a nós.
Então,
é claro que o dom do entendimento está intimamente ligado à fé. Quando o
Espírito Santo habita o nosso coração e ilumina a nossa mente, faz-nos crescer
dia após dia na compreensão daquilo que o Senhor disse e levou a cabo. O
próprio Jesus disse aos seus discípulos: enviar-vos-ei o Espírito Santo e Ele
far-vos-á entender tudo o que vos ensinei. Compreender os ensinamentos de
Jesus, entender a sua Palavra, compreender o Evangelho, entender a Palavra de
Deus. Podemos ler o Evangelho e entender algo, mas se lermos o Evangelho com
este dom do Espírito Santo conseguiremos compreender a profundidade das
palavras de Deus. Este é um grande dom, uma dádiva enorme que todos nós devemos
pedir, e pedir juntos: concedei-nos, ó Senhor, o dom do entendimento!
Há
um episódio do Evangelho de Lucas que explica muito bem a profundidade e a
força deste dom. Depois de ter assistido à morte na Cruz e à sepultura de
Jesus, dois dos seus discípulos, desiludidos e amargurados, deixam Jerusalém e
voltam para o seu povoado chamado Emaús. Enquanto caminham, Jesus ressuscitado
aproxima-se deles e começa a falar-lhes, mas os seus olhos, velados pela
tristeza e até pelo desespero, não são capazes de o reconhecer. Jesus caminha
ao seu lado, mas eles sentem-se tão tristes, tão desesperados, que não o
reconhecem. Contudo, quando o Senhor lhes explica as Escrituras para que compreendam
que Ele devia ter sofrido e morrido para depois ressuscitar, as suas mentes
abriram-se e nos seus corações voltou a acender-se a esperança (cf. Lc 24,
13-27). E é isto que nos faz o Espírito Santo: abre-nos a mente, abre-nos para
nos fazer entender melhor, para nos levar a compreender melhor as disposições
de Deus, as realidades humanas, as situações, tudo. O dom do entendimento é
importante para a nossa vida cristã. Peçamos ao Senhor que nos conceda a todos
este dom, a fim de nos fazer compreender, como Ele mesmo entende as situações
que acontecem e para que compreendamos, sobretudo, a Palavra de Deus no
Evangelho.
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Primeiro dom - Sabedoria
PAPA FRANCISCO
AUDIÊNCIA GERAL
Praça de São Pedro
Quarta-feira, 9 de Abril de 2014
Prezados
irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje
damos início a um ciclo de catequeses sobre os dons do Espírito Santo. Vós
sabeis que o Espírito Santo constitui a alma, a linfa vital da Igreja e de cada
cristão: é o Amor de Deus que faz do nosso coração a sua morada e entra em
comunhão com cada um de nós. O Espírito Santo está sempre conosco, em nós, no
nosso coração.
O
próprio Espírito é «o dom de Deus» por excelência (cf. Jo 4, 10), um pressente
de Deus e, por sua vez, transmite vários dons a quantos o acolhem. A Igreja
identifica sete, número que simbolicamente significa plenitude, totalidade; são
aqueles que aprendemos quando nos preparamos para receber o sacramento da
Confirmação e que invocamos na antiga prece da chamada «Sequência ao Espírito
Santo». Os dons do Espírito Santo são os seguintes: sabedoria, entendimento,
conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus.
Portanto
o primeiro dom do Espírito Santo, de acordo com este elenco, é a sabedoria. Mas
não se trata simplesmente da sabedoria humana, que é fruto do conhecimento e da
experiência. Na Bíblia narra-se que, no momento da sua coroação como rei de
Israel, Salomão tinha pedido o dom da sapiência (cf. 1 Rs 3, 9). E a sapiência
consiste precisamente nisto: é a graça de poder ver tudo com os olhos de Deus.
É simplesmente isto: ver o mundo, as situações, as conjunturas e os problemas,
tudo, com os olhos de Deus. Nisto consiste a sabedoria. Às vezes nós vemos a
realidade segundo o nosso prazer, ou em conformidade com a situação do nosso
coração, com amor ou com ódio, com inveja... Não, este não é o olhar de Deus. A
sabedoria é aquilo que o Espírito Santo realiza em nós, a fim de vermos todas
as realidades com os olhos de Deus. Este é o dom da sabedoria.
E
obviamente ele deriva da intimidade com Deus, da relação íntima que temos com
Deus, da nossa relação de filhos com o Pai. E quando mantemos esta relação, o
Espírito Santo concede-nos o dom da sabedoria. Quando estamos em comunhão com o
Senhor, é como se o Espírito Santo transfigurasse o nosso coração, levando-o a
sentir toda a sua veemência e predileção.
Assim,
o Espírito Santo torna o cristão «sábio». Mas isto não no sentido que ele tem
uma resposta para cada coisa, que sabe tudo, mas no sentido que «sabe» de Deus,
sabe como Deus age, distingue quando algo é de Deus e quando não o é; tem
aquela sabedoria que Deus infunde nos nossos corações. O coração do homem
sábio, neste sentido, tem o gosto e o sabor de Deus. E como é importante que
nas nossas comunidades haja cristãos assim! Neles tudo fala de Deus,
tornando-se um sinal bonito e vivo da Sua presença e do Seu amor. É algo que
não podemos improvisar, que não conseguimos alcançar sozinhos: é um dom que
Deus concede àqueles que se tornam dóceis ao Espírito Santo. O Espírito Santo
está dentro de nós, no nosso coração; podemos ouvi-lo, podemos escutá-lo. Se
prestarmos ouvidos ao Espírito, Ele ensinar-nos-á o caminho da sabedoria,
incutir-nos-á a sabedoria, que consiste em ver com os olhos de Deus, ouvir com
os ouvidos de Deus, amar com o Coração de Deus, julgar com o juízo de Deus.
Esta é a sabedoria que nos confere o Espírito Santo, e todos nós podemos tê-la.
Só devemos pedi-la ao Espírito Santo.
Pensai
numa mãe, em casa com os seus filhos; quando um deles faz algo, o segundo pensa
noutra travessura e a pobre mãe vai de um lado para o outro, com os problemas
das crianças. E quando as mães se cansam e repreendem os filhos, qual é a
sabedoria? Ralhar com os filhos — pergunto-vos — é sabedoria? O que dizeis: é
sabedoria ou não? Não! Ao contrário, quando a mãe pega no seu filho e o
repreende docilmente, dizendo-lhe: «Não faças isto, por este motivo...»,
explicando-lhe com muita paciência, isto é sabedoria de Deus? Sim! É quanto nos
dá o Espírito Santo na vida! Além disso, por exemplo no matrimónio, os dois
cônjuges — o esposo e a esposa — brigam e depois não se olham no rosto, ou
quando se olham fazem-no de cara torta: isto é sabedoria de Deus? Não! Ao
contrário, quando dizem: «Bem, passou a tempestade, façamos as pazes», e
retomam o caminho em frente, em paz: isto é sabedoria? [o povo: sim!]. Eis no
que consiste o dom da sabedoria! Que haja em casa, com as crianças e com todos
nós!
E
isto não se aprende: trata-se de um dom do Espírito Santo. Por isso, devemos
pedir ao Senhor que nos conceda o Espírito Santo e nos confira a dádiva da
sabedoria, daquela sapiência de Deus que nos ensina a ver com os olhos de Deus,
a sentir com o Coração de Deus e a falar com as palavras de Deus. E assim, com
esta sabedoria, vamos em frente, construamos a família, edifiquemos a Igreja
santificando-nos a todos. Hoje peçamos a graça da sabedoria. E peçamo-la a
Nossa Senhora, que é a Sede da sabedoria, deste dom: que Ela nos conceda esta
graça.
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